Recifes de Coral: O que são os corais e porque são tão importantes?

Muito tem se falado sobre os corais, ou recifes de coral, e muito esforço tem sido feito para protegê-los de ameaças ambientais como plataformas de petróleo, atividades ilegais de pesca, e até mesmo mergulhos turísticos. Mas, afinal, porque tais estruturas marinhas são tão importantes? Neste texto, vamos explicar o que são os recifes de coral e porque são tão importantes para a vida marinha.

Os corais

Para entendermos os recifes de coral, precisamos primeiro entender o que são os corais, os animais que formam a unidade “básica” dos recifes. O coral é, como dissemos, um animal, mais precisamente um cnidário, filo de animais aquáticos ao qual também pertencem as anêmonas e as águas-vivas. A forma adulta do coral forma um pólipo, que é a forma clássica que conhecemos, fixada no solo marinho. Quando fixados, os corais segregam um exoesqueleto calcário (ou seja, cria um revestimento de calcário) ou de matéria orgânica, e os pólipos podem ser individuais ou coletivos. Sua alimentação consiste pequenos seres vivos, como zooplâncton e peixes pequenos e, assim como quase todos os animais da sua classe (os antozoários), formam colônias, que podem chegar a tamanhos incrivelmente grandes (os recifes propriamente ditos), embora existam corais solitários, ligados ao substrato.

Os recifes de coral

Só de olhar para a foto de um recife de coral, já dá pra ter uma noção de toda a biodiversidade dele!
Só de olhar para a foto de um recife de coral, já dá pra ter uma noção de toda a biodiversidade dele!

Os recifes de coral são formados a partir do acúmulo do exoesqueleto dos corais, como explicamos acima, chegando ao ponto de se transformar em um atol ou até mesmo uma ilha, quando em condições favoráveis. Eles são ecossistemas com grande biodiversidade e produtividade, suportando, em muitos casos, pescarias e turismo. A diversidade biológica decorre do fato dos recifes abrigarem inúmeras formas de vida que alimentam umas às outras em cadeia, formando um ciclo vivo muitíssimo importante para a vida oceânica. Para dar uma noção da quantidade de seres vivos que um recife de coral pode abrigar, vamos entrar em questões numéricas. Nós, humanos, reconhecemos perto de 48.000 espécies de vertebrados no planeta: mais da metade, cerca de 24.600, são peixes. Mais de 60% destas espécies vivem unicamente em ambientes marinhos, e, apesar dos recifes de coral representarem menos de 1% da área total de oceanos do planeta, quase metade de todas as espécies que conhecemos de peixes marinhos são encontrados nessas áreas tropicais de recifes de coral. Cerca de 1/4 (a quarta parte) de todas as espécies de peixes marinhos, então, simplesmente não existiria não fosse a existência dos corais! Também vivem nos ambientes dos corais águas vivas, vírus, crustáceos como lagostas, camarão e caranguejos; moluscos, incluindo cefalópodes como polvos, lulas e náutilos; equinodermos, como esponjas do mar, ouriços e pepinos do mar; tartarugas marinhas e cobras do mar. Mamíferos são raridade nos recifes de coral, com os golfinhos sendo os visitantes mais comuns da classe.

A Ilha de Lady Musgrave é uma das formações de coral pertencentes à Grande Barreira de Corais na Austrália, considerado o maior indivíduo vivo do mundo
A Ilha de Lady Musgrave é uma das formações de coral pertencentes à Grande Barreira de Corais na Austrália, considerado o maior indivíduo vivo do mundo

Os recifes de coral e a vida marinha 🌊

Os corais possuem uma relação simbiótica com uma série de outros seres marinhos, como as algas zooxantelas, por exemplo. Os pólipos dos corais não realizam fotossíntese, mas as algas zooxantelas sim; as células delas fixam-se dentro do pólipo do coral, e ali produzem nutrientes orgânicos como resultado do processo fotossintético, nutrientes estes que alimentam os corais, permitindo seu crescimento e expansão. Sem tais algas, os corais cresceriam de forma muito mais lenta e demorariam muito para atingir os tamanhos dos recifes de coral atuais – se é que atingiriam. A simbiose com essas algas é, na verdade, o grande motivo dos corais serem encontrados exclusivamente nas zonas eufóticas (ou seja, as que chegam a até 50 metros de profundidade), pois é a profundidade em que chega luz solar o suficiente para que a fotossíntese ocorra.

A Grande Barreira de Corais australiana é tão grande pode ser vista mesmo do espaço!
A Grande Barreira de Corais australiana é tão grande pode ser vista mesmo do espaço!

Ameaças aos corais: qual a influência do ser humano?

Branqueamento dos corais: uma consequência da acidificação que pode matar recifes inteiros
Branqueamento dos corais: uma consequência da acidificação que pode matar recifes inteiros

Ao absorver o carbono e enviá-lo ao fundo do mar no processo fotossintético, as algas devolvem oxigênio, o que gera cerca de 50% do ar que respiramos. Isso não quer dizer que possamos emitir gás carbônico à vontade na atmosfera; na verdade, é o contrário – precisamos diminuir as emissões, pois com excesso de CO2, a água dos oceanos, antes alcalina, acaba por ficar cada vez mais ácida, resultando na acidificação dos corais. Esse processo vai esbranquiçando os recifes de coral até que acabem por morrer, pois não são capazes de suportar níveis altos de acidez. Com isso, as algas perdem um de seus habitats mais importantes, já que elas mesmas também não aguentam acidez em demasia. Sem algas, a fotossíntese fica comprometida, e mais CO2 ainda acaba ficando na atmosfera, acidificando ainda mais os mares, em um ciclo perigosíssimo para a vida do planeta e, por tabela, para a vida humana. Além disso, as algas que habitam os recifes de coral alimentam uma série de animais marinhos, como peixes, que alimentam animais maiores, como tubarões e baleias, e, sem as algas, uma reação em cadeia pode acabar por comprometer toda a vida oceânica. O ser humano, por tabela, também acaba sofrendo com isso, já que retira do mar parte de sua alimentação, através da pesca. Cidades e mesmo países litorâneos baseiam sua economia e subsistência em atividades pesqueiras, e mudar isso seria consideravelmente grave para eles.

→ O aquecimento global é um dos perigos que ameaça os corais: saiba mais sobre ele aqui no sustentabilidade.blog!

Em apenas três anos os corais da ilha de Moorea, na Polinésia Francesa, embranqueceram e morreram graças às ações do ser humano
Em apenas três anos os corais da ilha de Moorea, na Polinésia Francesa, embranqueceram e morreram graças às ações do ser humano

Outras ameaças secundárias do ser humano são, por exemplo, comércio de peixes de recife para aquários e má gestão das terra litorâneas. Os peixes dos recifes de coral são procurados para introdução em aquários, bem como corais para decoração dos mesmos. Para pescar tais peixes, é jogado cianeto na água, que atordoa os peixes e torna a coleta fácil. A substância, no entanto, prejudica os órgãos dos peixes e pode até mesmo matá-los, bem como matar corais e outros invertebrados que habitam os recifes. Em outros casos, o ser humano acaba destruindo florestas de mangue próximas dos oceanos, que absorvem nutrientes e sedimentos decorrentes da agricultura e construção de estradas, portos e canais, por exemplo, evitando que cheguem ao oceano. O excesso de nutrientes acaba proliferando algas e fitoplânctons, que crescem em excesso e acabam desequilibrando o ecossistema dos recifes, beneficiando algumas espécies e prejudicando muitas outras. Baixa qualidade da água, causada por poluição, também é um agravante quanto à sobrevivência dos corais.

Os corais da amazônia

Um dos assuntos em pauta atualmente são os corais descobertos recentemente na foz do rio Amazonas, um local bem improvável para a existência de um recife de coral. Corais normalmente exigem condições de temperatura e salinidade muito específicas, não sobrevivendo em ambientes muito diferentes. No entanto, os corais da amazônia vivem em uma região onde a água doce se mistura com a água salgada, onde dificilmente um coral sobreviveria; no entanto, este recife se adaptou e conseguiu subsistir apesar das condições aquáticas. Outro problema é a água: na região da foz amazônica, ela é bem turva porque folhas, restos de árvores, terra e animais ou qualquer outra coisa que caia na correnteza é levada pelo rio até o local onde este deságua no mar, comprometendo a passagem de luz solar até o fundo. Em alguns lugares a luminosidade fica abaixo de 2%! Como, então, os corais sobrevivem? Eles contam com bactérias que ajudam na produção de matéria orgânica e energia através do gás carbônico, água e outras substâncias inorgânicas que estão presentes no mar, como amônia, ferro, nitrito e enxofre. Feitos incríveis para um recife de coral!

Esquema representativo da extensão do enorme recife de coral amazônico
Esquema representativo da extensão do enorme recife de coral amazônico

O tamanho do recife também impressiona: 9,5 mil quilômetros quadrados, indo desde a fronteira do Brasil com a Guiana Francesa até o Maranhão. É maior que a área metropolitana de São Paulo, com seus 8 mil quilômetros quadrados! Além disso, os corais vão diferenciando-se através de toda a extensão, inclusive onde há mais sedimentos e menos luz, mas não menos diversidade de esponjas do mar e corais, por exemplo. Perto do Maranhão, os sedimentos são poucos, e lá vivem os corais e algas moles, que fazem fotossíntese.

A descoberta desse recife de coral é algo bem recente: em 1975, a presença de peixes que só aparecem perto de corais foi percebida na região e relatada em um simpósio em 1977, mas não passou disso. A alta produtividade da pesca de lagostas, pargos e outras espécies recifais também era um fator que encucava os pesquisadores, mas os estudos só começaram a ser aprofundados em 2010, para que a confirmação do recife viesse, finalmente, em 2016. Em janeiro de 2017, as primeiras imagens do recife de coral amazônico finalmente foram divulgadas, realizadas pelo Greenpeace para mostrar a diversidade da vida local.

Uma das primeiras fotos dos corais amazônicos, mostrando a biodiversidade local
Uma das primeiras fotos dos corais amazônicos, mostrando a biodiversidade local

Defenda os corais da amazônia!

Com as descobertas dos recifes de coral na foz do amazonas, a consciência ambiental vem sendo de suma importância para a preservação da vida local, e o Greenpeace está direcionando muitos esforços para assegurar que a vida dos corais e de toda a biodiversidade que deles depende continue por muitos e muitos anos. A campanha, que tem o slogan do título desta seção, é em relação à possível instalação de plataformas de exploração petrolífera em uma região perigosamente próxima do recife amazônico. Duas empresas europeias, a Total e a BP, estão com planos de instalação de poços de petróleo, sendo a Total a primeira que planeja fazer a instalação e, portanto, foco da campanha do Greenpeace, já que parando ela, a segurança do local já estará garantida. Os poços de petróleo em si podem não parecer tão perigosos, mas caso qualquer vazamento aconteça, o óleo poderá poluir toda a região da foz do amazonas, comprometendo não apenas os corais do local, mas também animais que vivem na região, como o peixe-boi, a ariranha e o boto, bem como mais de 80 comunidades quilombolas que dependem do ecossistema da foz amazônica para sobreviver. Além disso, no norte do Amapá, há o Parque Nacional do Cabo Orange, que abriga a maior área contígua de mangues do mundo. Por conta de todos esses fatores, nós do sustentabilidade.blog acreditamos que é de suma importância assinar a petição para salvar a amazônia e garantir o futuro do nosso meio ambiente! Agora que sabemos como são os recifes de coral e como eles são indispensáveis para a vida oceânica e mesmo para a nossa vida, é nossa responsabilidade garantir que eles continuem vivendo em um ambiente propício e sem riscos!

→ Clique aqui para assinar a petição e ajudar a salvar os corais da amazônia!

Referências: Wikipedia.org, Mar sem fim e Greenpeace