Efeito Estufa: como funciona e quais as consequências?

O efeito estufa é o principal efeito causador do aquecimento global, e o processo onde existe a maior das influências humanas para o meio ambiente, dada a escala em que a natureza é afetada. Na verdade, o efeito é algo natural para o planeta, e sem ele a vida na terra seria impossível. Porque, então, fala-se tanto dele como um vilão? Vamos descobrir!

Como funciona o efeito estufa?

Para entender o funcionamento do efeito estufa, precisamos ver o processo como um todo, desde o começo. Primeiramente, raios de radiação em diferentes comprimentos de onda são emitidos pelo Sol, a estrela central do nosso sistema, que atingem a Terra. Isso inclui a luz, que conseguimos ver, mas também diversos comprimentos que não podemos ver, como o ultravioleta e o infravermelho. Um terço de toda essa radiação acaba sendo refletido de volta para o espaço, graças ao escudo atmosférico que o planeta possui, constituído, por exemplo, de ozônio (O3). Os outros dois terços, no entanto, acabam adentrando a atmosfera e aquecendo a superfície terrestre, ou seja, os oceanos e os continentes. Uma parcela da atmosfera também acaba sendo aquecida pela radiação solar, apesar de ser em menor quantidade. Essa radiação normalmente seria “devolvida” para o espaço ao ser refletida pela superfície terrestre, mas acaba retida pela atmosfera, pelo mesmo processo que devolve um terço da radiação que chega de volta para o espaço.

Esquema de funcionamento do efeito estufa
Esquema de funcionamento do efeito estufa

Esse fenômeno, que tem sido tratado como um vilão nos dias atuais, na verdade foi e ainda é muito benéfico para o vida no planeta – sem ele, simplesmente não existiríamos! O efeito estufa nos ajuda a manter uma temperatura constante e favorável à vida. Sem ele, a Terra seria cerca de 30º mais fria – talvez ainda pudesse abrigar vida, mas ela seria muito diferente da vida que conhecemos hoje, e o ambiente seria muito hostil para os seres humanos como somos hoje. O que acabou “vilanizando” o efeito foi o seu excesso, ou, especificamente, o excesso de calor gerado nos dias atuais, em decorrência de diversos fatores, como emissões exageradas de gás carbônico ou metano na atmosfera. Mas, afinal de contas, como esses gases influenciam no processo?

Os gases do efeito estufa dash symbol 

Os gases do efeito estufa, também chamados de gases estufa, são aqueles que, presentes na atmosfera, influenciam no processo de aquecimento. É importante diferenciarmos estes gases dos outros que também estão presentes na atmosfera, mas que não influenciam no efeito. Oxigênio e hidrogênio, por exemplo, constituem a maior parte dos gases que estão a nível atmosférico, porém não influenciam em praticamente nada. Como principais gases estufas, podemos citar o vapor de água (H2O), o gás carbônico (que nada mais é do que o dióxido de carbono, ou CO2) e o metano (CH4). Outros gases também contribuem, como o óxido nitroso (N2O), o ozônio (O3) e os vários clorofluorcarbonetos, apesar de estarem em uma quantidade bem menor na atmosfera do que os citados anteriormente. Esses gases podem ser transparentes à radiação no espectro da luz visível, mas eles retêm a radiação térmica, ou seja, o calor, próximo da superfície, onde a atmosfera é mais densa. Em altitudes maiores, a atmosfera é rarefeita demais para que os gases tenham um papel significativo na absorção de radiação.

Metano, óxido nitroso, gás carbônico e ozônio: os gases estufa emitidos por nós, seres humanos
Metano, óxido nitroso, gás carbônico e ozônio: os gases estufa emitidos por nós, seres humanos

A potência dos gases em relação à sua capacidade de agir no efeito estufa varia bastante, mas também depende da quantidade em que o gás se encontra presente na atmosfera. O metano, por exemplo, é cerca de 20 vezes mais potente que o gás carbônico, porém, em proporções absolutas, o gás carbônico possui uma influência muito maior no efeito estufa, dada a sua quantidade atmosférica.

Gás carbônico: origens e influências

O gás carbônico, também chamado de dióxido de carbono, é uma substância que desde o início da vida na terra tem ajudado na manutenção do efeito estufa e consequentemente possibilitado que ela continuasse subsistindo, como já explicamos anteriormente. O problema é que nos últimos 800 mil anos os níveis atmosféricos do gás carbônico se mantiveram estáveis, sem gerar um efeito estufa exagerado (seja muito ativo, ou minimamente ativo), algo que mudou drasticamente a partir do século XVIII. Com a revolução industrial, o carvão mineral começou a ser utilizado com muita expressividade, e no século XX também foram incluídos na lista o petróleo, o gás natural e alguns outros combustíveis fósseis. Tais combustíveis estão presentes naturalmente na natureza, porém inativados; ou seja, sua liberação na atmosfera ocorre de forma gradual e constante, sem variações muito grandes ou súbitas. O ser humano, ao utilizá-los em grande quantidade e com cada vez mais frequência, libera os gases presentes em tais materiais, gerando um desequilíbrio no ciclo natural do carbono. As influências do ser humano elevaram a concentração atmosférica do gás carbônico em 35%, ultrapassando os 400ppm (partes por milhão) em  2013, os maiores níveis em 800 mil anos. Como já vimos anteriormente, essa quantidade massiva da substância acabou por se tornar um dos maiores influenciadores do aquecimento global, gerando preocupação e resultando em diversas tentativas de controle acerca de sua emissão na atmosfera, como refletido pelos mais diversos tratados entre países, infelizmente nem sempre cumpridos ou sequer assinados por países que acreditam não influenciar no problema ou simplesmente acham que os efeitos são inexistentes ou míticos, o que agrava substancialmente o problema.

O metano e seu papel no efeito estufa

O metano é outro gás que possui um ciclo natural, estando presente no meio ambiente e eventualmente acabando na atmosfera. A sua presença elevada se deu um pouco por conta da utilização de combustíveis fósseis, assim como o gás carbônico, mas em maior quantidade na agricultura, desperdício de alimentos e na decomposição de lixo orgânico. Antes da revolução industrial, os níveis de metano encontravam-se em 722ppb (partes por bilhão), e em 2014 já estavam por volta de 1893-1762ppb. O papel do metano vem sendo estudado e reavaliado, pois, apesar de ser encontrado em uma quantidade significativamente menor do que o gás carbônico na atmosfera, calcula-se que existam ainda quantidades enormes de metano inativas no planeta, como no permafrost (ou pergelissolo) das regiões mais frias do planeta, ou geleiras, quantidades essas que podem acabar sendo liberadas na atmosfera de acordo com o derretimento do gelo e liberação da matéria orgânica presente nele, que se decompõe e libera o metano na atmosfera. Cálculos mais preciso acerca dessas quantidades estão sendo feitos, no entanto, e não há certeza de quanta liberação podemos esperar quando esta acontecer. O metano também é gerado em uma certa quantidade pela agricultura, através da ruminação das criações de gado e outros animais ruminantes, em números ainda incertos, mas não menos preocupantes, ainda mais sem perspectivas de alguma tecnologia que auxilie na diminuição ou neutralização de tais emissões.

Apesar de parecerem inofensivas, as criações de gado geram uma quantidade considerável de metano
Apesar de parecerem inofensivas, as criações de gado geram uma quantidade considerável de metano

Existem outros gases com influências menores, como o óxido nitroso, que vem do uso de fertilizantes, o ozônio e os clorofluorcarbonetos, estes últimos inexistentes antes da revolução industrial, que elevou os níveis de todos os gases aqui citados.

As consequências das emissões e do efeito estufafire 

Quando as emissões de gás carbônico, metano e diversos outros gases se tornam elevadas demais para que os processos naturais continuem em seu ciclo, as consequências para o meio ambiente e, consequentemente, o ser humano podem se tornar devastadoras, na medida em que o efeito estufa intensifica demasiadamente o aquecimento global.

O aquecimento global earth globe americas 

A principal e mais importante consequência do efeito estufa quando em níveis exagerados é o aquecimento do planeta, que gera todas as outras consequências para o meio ambiente e os seres que nele vivem. O aquecimento global, dependendo de sua intensidade, pode significar mudanças muito drásticas nos ecossistemas mundiais, causando até mesmo desertificação nos cenários mais preocupantes, mas em escalas menores, já podemos ver desequilíbrios nos ciclos hídricos, que são caracterizados por enchentes em alguns lugares e secas em outros, o que modifica os habitats de diversos tipos de animais, que acabam sendo forçados a migrar para outros ambientes, desequilibrando a fauna e flora desses locais. Como o ser humano depende da manutenção dos ecossistemas e das vidas de muitos animais, a influência na vida humana é direta e iminente.

→ Saiba mais sobre o aquecimento global e as consequências dele para a vida na terra aqui mesmo no sustentabilidade.blog!

Uma das consequências do efeito estufa é o derretimento do gelo e mudanças no habitat de animais polares
Uma das consequências do efeito estufa é o derretimento do gelo e mudanças no habitat de animais polares

E as controvérsias?thinking face 

Existem divergências, principalmente nos setores mais políticos, acerca dos efeitos e causas do efeito estufa e do aquecimento global. Alguns dizem que os efeitos não existem, outros dizem que tais mudanças não sofrem influência do ser humano, outros dizem que não é possível fazer nada quanto às mudanças climáticas. A verdade é que como as consequências são grandes e demoradas demais para que sejam perceptíveis pelas perspectivas limitadas dos seres humanos, é muito fácil negá-las quando isso traz tantos benefícios para empresários e políticos. Admitir que o ser humano impacta significativamente o meio ambiente implica em mudanças no dia a dia e em atitudes lucrativas como exploração de recursos naturais e utilização de tecnologias baratas, e investir em tecnologias menos agressivas para com a natureza é custoso e incerto, e, apesar de ser o ideal, é uma ideia que abomina muitos empresários. O que é pior, no entanto, é saber e estar consciente do que as nossas atitudes significam para o planeta e continuar na recusa a assinar tratados para diminuir emissões de gases e tomar atitudes sustentáveis para proteger interesses comerciais e políticos, demonstrando não se importar com o futuro do meio ambiente e das gerações seguintes.

Veja o vídeo abaixo sobre as controvérsias em torno das informações e produções científicas acerca do efeito estufa e do aquecimento global para saber mais:

Como seres humanos conscientes do impacto de nossas ações e com o poder da mudança em nossas mãos, é nosso dever pensar em soluções, trabalhar para um futuro mais sustentável e, mais importante, tomar atitudes sustentáveis, aplicando a sustentabilidade no nossos dia a dia, em nossas casas, empresas e onde quer que formos! Não vamos reduzir os efeitos nocivos do que fazemos ficando parados, então a hora de agir é agora!

→ Veja aqui mesmo no sustentabilidade.blog várias formas de ter atitudes sustentáveis!

Referências: Sua Pesquisa, Wikipedia.org